Algumas viagens não exigem malas nem passagens aéreas. Elas começam ao redor do fogão, no aroma da polenta recém-feita, no gesto repetido à mão, aprendido ainda na infância. É por esse território afetivo que nos conduz o livro “Afeto e Cozinha de Raiz: a força feminina na manutenção da cultura e memória italiana”, uma publicação digital gratuita que celebra a culinária italiana como herança viva, passada de geração em geração.
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Mais do que um livro de receitas, a obra é um convite para viajar pela memória. São 12 histórias de mulheres descendentes de imigrantes italianos e 20 receitas de família que resistiram ao tempo e continuam presentes nas cozinhas contemporâneas. Cada prato carrega identidade, pertencimento e afeto.
Como ítalo-brasileira, fazer parte deste projeto é motivo de profundo orgulho para mim. Cresci cercada por histórias contadas à mesa, receitas repetidas sem medidas exatas e pelo entendimento de que a culinária italiana é muito mais do que comida: é memória, é pertencimento, é linguagem afetiva. Contribuir para um livro que valoriza mulheres que mantêm viva essa herança cultural é, para mim, uma forma de honrar minhas origens e ajudar a registrar um legado que atravessa gerações e continua pulsando nas cozinhas do Brasil.
A culinária italiana como herança de mulheres
As protagonistas do livro aprenderam a cozinhar muito cedo, em um contexto em que assumir o fogão era uma necessidade. Famílias numerosas, rotina na roça e a cozinha como espaço de sustento e encontro moldaram essas histórias.

Entre mães, filhas, avós e sogras, o aprendizado se transformou em laço afetivo. Polenta, galinhada, pães, bolos e massas aparecem como símbolos da culinária italiana tradicional, preservada principalmente pelas mãos femininas que transformaram o ato de cozinhar em cuidado, resistência e memória cultural.


Para registrar essas histórias, a equipe percorreu seis municípios do Rio Grande do Sul marcados pela imigração italiana: Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi, Muçum, Santa Tereza e Vespasiano Corrêa. Além da forte identidade cultural, essas regiões foram profundamente atingidas pelas enchentes de 2024. Em meio a perdas materiais e emocionais, a culinária italiana surge como elo entre passado e presente, revelando a força da comida como patrimônio cultural vivo.
Gastronomia italiana como patrimônio cultural da humanidade
O lançamento do livro coincide com um momento simbólico: o reconhecimento da gastronomia italiana como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Um marco que reforça a importância de iniciativas que preservam não apenas receitas, mas também os saberes, rituais e afetos transmitidos ao longo das gerações.
O projeto foi viabilizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Lei Aldir Blanc), fortalecendo o registro da culinária italiana no Brasil como parte essencial da nossa história. O livro Afeto e Cozinha de Raiz está disponível em formato digital, com download gratuito pelo Instagram @forzafeminina, ampliando o acesso e permitindo que esse patrimônio continue vivo nas cozinhas atuais. A obra também conta com audiolivro, promovendo inclusão e acessibilidade.

Um projeto feito a muitas mãos
A coordenação geral é da jornalista Anelise Zanoni, doutora em Comunicação e Informação e sócia da Way Content. A coordenação digital é de Francine Agnoletto, arquiteta e sócia da Dretto ArqComunica. A reportagem é assinada por Patrícia Lima, com design de Camila Provenzi e direção de fotografia de Diego Soares.
Um trabalho coletivo que transforma culinária italiana, memória e afeto em registro cultural.
Porque viajar também é sentar à mesa, ouvir histórias e preservar raízes. E porque a culinária italiana não vive apenas nos pratos, mas nas pessoas que continuam cozinhando o passado para alimentar o presente.
📖 Baixe gratuitamente o livro e o audiolivro pelo Instagram @forzafeminina
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